Regando a fé

Tiraram-me o pano da face, pano escuro, sujo de mal-cheiro e vi-me ao campo a às estrelas. Estava em uma fazenda e nunca antes ali estivera. Pra baixo olhei,
homens agora gritavam e começaram a me espancar.

Enfraquecido já me encontrava sem me aperceber o que estava acontecendo. Gosto e dores de sangue. Foi, então, que me chamaram pelo nome de cristão. Aos berros gritavam “seu esforço é inútil”.

Finalmente entendera para mim de Deus o chamado e morto eu seria por causa do meu Amado. “Teu Cristo nunca existiu”, eles me diziam, “negue-o e viverás”. Mal sabiam que a vida em mim já habitava.

Eu não posso isso fazer, o nome Dele negar. Minha morte regará a fé de Quem veio me salvar. Qual último pedido, deixaram-me escrever estes meus últimos versos – que nem versos se parecem, mas não tem problema.

Se me arrependo? Claro que não! Faria, sim, de novo. Como posso negar o Nome de Quem de mim fez renovo?

Natanael Melo