Ampulheta

É tão pequeno o ponteiro
É tão grande vosso estrago
Não desaceita o engenheiro
De tudo, leste, diz “trago”

Del’ não se pode fugir
Tudo abrange a dimensão
Tenta-lhe, pois, competir
e a morte é uma amiga à mão

Somos escravos da areia
Já e lento cai da ampulheta
Quebra o vidro que a rodeia
Pegue e olhe com tua luneta

Rios vasos e fundos correm
Ferro sofre de ferrugem
Os homens, de velhos, morrem
Muitas águas do alto rugem

E Ele, no universo acima,
o vê, todo genuflexo
Se quiser, o faz ser rima
Isso me deixa perplexo

Natanael Melo