Transmutação

Estava doente
Mal tão ominoso
que afetava-me às entranhas
inegavelmente
mas se negava doença
tendo nome prazer
Dissimulada
nunca dela me aperceberia
Me matava
concomitantemente
em doce desejo
amargura à garganta
ao mal de todos os homens
Impiedosa
cheia de malícia
sem fármaco
Em mim era ela
do âmago sempre me foi
Eu era a doença
minha própria morte

À escuridão da lucidez
Chegou-me Cristo
e tudo visto se fez

Ofereceu
perdão
à justiça desmedida
comunhão
com Quem nunca alcançaria
ressurreição
de meu estado de morte
esperança
para além do exício
novidade de vida
intelecto e sapiência
amizade
contrária à falsidade do mundo
sorriso
da alegria de saber viver
em um viver agora e eterno
desejo e vontade
para odiar o que outrora amava
cura
para o meu pecado

À minh’alma enegrecida
deu-me luz aos olhos meus
Este é o Deus da vida

Natanael Melo